elisangelo.ramos@gmail.com

segunda-feira, abril 10, 2006

koll-tu-ra



Em 2005 murcham os violinos: Nho Raul (pai de Tcheka) morreu



terça-feira, 12 julho 2005


Faleceu hoje o violinista Raul Rosa Andrade, mais conhecido como Nho Raul de Ribeira da Barca, e pai do também músico Tcheka, que na altura da morte do pai se encontrava em Portugal a divulgar o seu mais recente disco. Segundo a Harmonia, editora do artista, Tcheka regressa nas próximas horas a Cabo Verde.


Nho Raul completara 78 anos a 15 de Abril. Nasceu em S. Lourenço, ilha do Fogo, em 1927, e foi aí que, por volta dos 8 anos, começou a aprender a tocar, com o padre boavistense António Lima, que vivia com uma sua tia. "Padre naquele tempo não era proibido ter mulher", contou-nos nho Raul, há cerca de três meses. Primeiro aprendeu viola de 12 cordas, mas foi ao violino que veio a dedicar-se.

Por volta dos 20 anos foi para S. Tomé e Príncipe, onde trabalhou como auxiliar de enfermagem, mas fica só dois anos. Foi lá que conheceu a mulher, natural de Ribeira da Barca, e é essa a razão de Nho Raul, natural do Fogo, ter na alcunha o nome dessa localidade de Santa Catarina, onde ficou a viver até o fim da sua vida.

Dos 11 filhos, todos os homens aprenderam a tocar. Liderados pelo pai, Raulinho, Nhela, Kilim, Tcheka e Betinho tinham de estar sempre a postos para animar tanto festas como funerais. É por isso que a vida musical de Tcheka começa cedo, já que, na casa de Nho Raul, aprender música era obrigatório a partir de certa idade. Para Tcheka, foi a partir dos 9 anos. "Tinham que tocar, porque qualquer 100 escudos já ajudava a ter o que comer", recordou, quando o visitámos.

Há já alguns anos o grupo Pai & Filhos deixou de actuar, pela partida dos filhos, seja para a Praia, caso de Tcheka, seja para o estrangeiro. E também porque após 37 anos como funcionário da Câmara Municipal de Santa Catarina, reformado, Nho Raul já só tocava por gosto e não por necessidade. Dono de três barcos de pesca, recusava-se a ir para o mar. Dele, só queria a aragem fresca que aproveitava sentado à sombra, em frente de casa.
Vez por outra, tocava no seu mítico violino alemão de 1700, que herdou do tio padre. Nho Raul não chegou a gravar. Tocou em diversos países, entre os quais Senegal, Portugal, Alemanha e
Moçambique. E teve uma participação no cinema, no filme "Casa de Lava" (1994), do realizador português Pedro Costa.

O ano de 2005 ainda vai pela metade e já levou outros dois violinistas da sua geração: o outro Nho Raul (de Pina), da Brava, em Março (cujo primeiro e único disco - Maday - foi produzido e lançado pelo Jornalista da Rádio de Cabo Verde, Elisângelo Ramos), o santantonense Nho Kzik, há menos de um mês.

Glaúcia Nogueira
Jornalista

In www.paralelo14.com

0 Comments:

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home