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quinta-feira, abril 20, 2006

Livros: " O TEMPO DE B.LEZA"





A Jornalista Gláucia Nogueira dá a conhecer esta sexta, 21, na Casa Cor de Rosa, na Cidadea da Praia, as seis e meia, o seu livro " O TEMPO DE B.LEZA", sobre o percurso de Francisco Xavier da Cruz (1905-1958).

Gláucia Nogueira desde 1998 que vem investigando a nossa música. Acompanhá-mo-la em alguns trabalhos. Com o bold que se impõe trazemos aqui uma texto seu publicado no http://www.paralelo14.com:

*DA MÚSICA DE CABO VERDE


Ao longo da década de 80, vários eventos musicais surgiram em Cabo Verde, alguns efémeros, outros intermitentes.

Versão infantil do Todo o Mundo Canta, o Festival Nacional dos Pequenos Cantores começou a ser promovido em 1985, pela Organização dos Pioneiros Abel Djassi (OPAD-CV), e dura até meados da década de 90. Adélcia Pires, fundadora da OPAD-CV, irá em 2002, como primeira-dama de Cabo Verde, criar a Fundação Infância Feliz, através da qual ressuscita o festival.

Em 1986, Luís de Matos, então com 10 anos, foi o vencedor a nível nacional e participou da edição portuguesa do concurso. Pelo número de pontos, seria o vencedor, relatou-nos, anos mais tarde, mas como chegou na véspera do concurso e era durante os ensaios que a final se definia, acabou por perder o primeiro lugar para um brasileiro. No ano seguinte, a vencedora nacional é Rita Lobo. Em 1988, ambos vão aos EUA gravar com Ramiro Mendes o LP Cabo Verde das Crianças, patrocinado pela Unicef, que acaba por nunca ser lançado.

O ano do décimo aniversário da independência é momento de muitas iniciativas. Organização de Mulheres de Cabo Verde (OMCV) organiza o Festival de Vozes Femininas, no qual participaram intérpretes de várias ilhas, além de nomes já conhecidos na altura, como Cesária Évora e Celina Pereira. Também este resulta num LP, gravado em Lisboa por, além de Cesária e Celina, Ana Emília Marta e Zenaida Chantre. Trata-se de Mar Azul - Abri'm Camim Cantá Mudjer's, com arranjos de Dany Silva e Luís Morais.

No ano seguinte terá lugar a primeira e única Semana de Arte Integrada (SAI), organizada pelo Movimento Pró-Cultura, tendo entre os seus objectivos sacudir a "letargia cultural" da capital, segundo uma retrospectiva do evento publicada no VP, a 24 de Setembro de 1986, pela comissão organizadora. Exposições de artesanato, pintura e fotografia, sessões de música, poesia e teatro decorrem ao longo de alguns dias, com actuações no auditório da Assembleia Nacional reunindo nomes como Nácia Gomi, António Denti d'Oru, Daniel Spencer, Kaká Barbosa, Daniel Rendall e a irmã Bia, Zezé di Nha Reinalda, Djuta Duarte, Fátima Évora, Betina Lopes, o casal Marta - Tonecas e Ana Emília - e Frederico Hopffer.

Em 1988, sob a organização da OMCV, um encontro reúne 125 batucadeiras na Praia (VP, 19 de Março de 1988). Mas foi preciso esperar cerca de dez anos para que algo semelhante voltasse a acontecer. E foi em Calheta de São Miguel, em 1998, com o Festival de Batuque e Funaná, assinalando as primeiras festas do recém-criado Município de São Miguel. A segunda edição, em 1999, reúne cerca de 30 grupos, de todos os concelhos de Santiago (Horizonte, 30 de Setembro de 1999), e abre um espaço que permitirá revelar nomes que vão surgindo e no futuro terão uma palavra a dizer na evolução do batuque e do finaçon. Também neste caso, a aposta é, explicitamente, não apenas musical: "Queremos fazer da cultura cabo-verdiana um produto turístico", afirmava o então ministro da Cultura, António Jorge Delgado, por ocasião da primeira edição do festival da Calheta, que teve o apoio do ministério (A Semana, 02 de Outubro de 1998).

Se por um lado os festivais de maiores dimensões, como Gamboa, Baía das Gatas e Santa Maria, apostam na variedade de estilos, com uma filosofia de música para todos os gostos, assiste-se, a partir de meados dos anos 90, ao aparecimento de manifestações de carácter mais especializado.

Um exemplo é o festival Sete Sóis Sete Luas, organizado pelo Grupo Teatralle Immagini, da Itália, que sob o selo "música étnica" tem deslocado artistas italianos, portugueses, espanhóis, romenos e cabo-verdianos para actuações em pequenas localidades espalhadas pelos países participantes. Ribeira Grande, em Santo Antão, entra assim, em 1998, no circuito dos festivais de world music, ao mesmo tempo que artistas cabo-verdianos actuam noutras localidades abrangidas pelo certame. Contudo, um ano as chuvas atrapalharam, noutro faltaram verbas... Até a data, o destaque do Sete Sóis Sete Luas ficou por conta de Orlando Pantera, cujo prémio Revelação, em 2000, iria financiar o disco que não chegou a gravar.

Ainda em finais da década de 90, surgem, como exemplos de eventos com alguma especificidade, o I Festival de Violino, realizado no mês de Julho de 1999 na ilha do Sal - e em Agosto de 2005 na Praia, no âmbito das comemorações dos 30 anos da independência; o Cabo Rap'99 e o Noite de Cordas nas Ilhas de Cabo Verde, na Praia, em 1999.

Em 1997 e 1998, o programa Feira Cultural, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura, propõe-se a recensear todos os grupos culturais existentes, nas áreas de música, dança e teatro. Os grupos Ferro Gaita, da Praia - na altura já a fazer sucesso com o seu primeiro trabalho discográfico - e Serenata, de São Vicente, foram os vencedores.

Antes desse festival há a registar, no interior de Santiago, apenas o Festival de Praia Grande (em Santa Cruz, também na década de 90), relativamente ao qual praticamente nada foi publicado na imprensa cabo-verdiana da altura, mas que poderá ser considerado um precursor do festival de batuque e funaná.

A Serenata para Nossa Senhora da Luz, organizada no Mindelo na noite de 7 para 8 de Setembro, dia da padroeira do concelho, teve seis edições (1993 a 1998) até os seus organizadores terem passado a residir em Portugal. "Esperamos poder passar o testemunho a alguém que queira pegar nisso", afirmava, em 2000, a cantora Ana Firmino, que com o marido, o artista plástico António Firmino, teve a ideia de reabilitar essa tradição.

A partir de 2000, sucedem-se as iniciativas de festivais, um pouco por todo o lado, na sua maior parte sem continuidade. Em 2001, houve o Festijazz, organizado pela PBS, que decorreu na Cidade Velha, S. Vicente e Sal. Em 2002, o Fesquintal de Jazz, promovido pelo Quintal da Música, com espectáculos de rua, no próprio Quintal e na Cidade Velha, e o FestVeja, também da PBS, este no Tarrafal. Esta produtora será responsável ainda pelo Fest-Vale, na Cidade Velha, a partir de 2002, mas nada terá a ver com um segundo Festijazz, realizado em 2003, por um grupo remanescente da organização do Fesquintal. Ainda a referir um festival de mornas na Ilha da Boavista, que começa em 2002, e vários eventos de música religiosa organizados por igrejas evangélicas.

De certa forma, a ideia de festival banalizou-se de tal maneira que praticamente qualquer concerto que conte com mais de um grupo/intérprete é denominado festival. Empresas, partidos ou câmaras municipais que desejem promover-se ou festejar qualquer data lançam mão do conceito, e o público adere, já que é sempre uma diversão a mais. Nas festas municipais, em geral associadas ao dia de um santo padroeiro, as personagens do palco rivalizam com as do altar nas atenções das entidades organizadoras e na devoção dos fiéis.

*Título do Editor

1 Comments:

Anonymous Adolfo Bexiga said...

No texto diz-se que o disco das Crianças gravado com o apoio da UNICEF nunca foi editado, mas eu tenho um exemplar do LP "Cabo Verde das Crianças", que será o disco referido. Produção executive de OPAD CV / UNICEF; vozes de Luis de Matos, Rita Lobo, e Lucette Sila ( todos com 12 anos ); Orquestração de Ramiro Mendes; orquestra com 20 elementos.

15/4/13 08:35

 

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