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segunda-feira, abril 10, 2006

RADIODIFUSÃO EM CABO VERDE


Rádio em Cabo Verde I – Os pioneiros



quinta-feira, 16 setembro 2004
Cabo Verde começa a ter emissões radiofónicas produzidas localmente na metade dos anos 40, mas já cerca de uma década antes a tecnologia da telefonia sem fios já era, para alguns, uma realidade e para outros uma reivindicação. Em Dezembro de 1934, "O Eco de Cabo Verde", editado de 1933 a 1935, na Praia, sugere que, nos dias em que não haja concertos da banda, os Correios proporcionem música à população com algum dos seus aparelhos-rádio, como na altura já se fazia em Lourenço Marques, segundo o jornal. Cerca de um mês depois, na mesma publicação, o relato de uma viagem de barco entre a ilha do Fogo e a Brava refere que os passageiros ouviram concertos por rádio, numa experiência com o posto transmissor de bordo.Ainda em 1935, quando em Outubro começa a guerra entre a Itália e a Abissínia, o "Notícias de Cabo Verde" desdobra-se numa cobertura pormenorizada, a partir da radio-telefonia. Não é de admirar, portanto, que o compositor Anton Tchitche tenha composto na altura a sua histórica morna a tomar o partido dos africanos, "Abissínia", já que graças ao rádio o acontecimento estava a ser seguido de perto em S.Vicente. É a partir dessa época que começam a aparecer em Cabo Verde os primeiros anúncios publicitários de receptores de rádio, e a marca Phillips é a pioneira. Em Janeiro de 1937, a Emissora Nacional a emitir de Lisboa inaugura um novo posto de ondas curtas em rádio, informa o "Notícias", pelo qual ficamos também a saber, dois anos depois, que em S. Vicente concretizou-se aquela antiga reivindicação que "O Eco" fizera para a Praia: em Maio de 1939, a Câmara Municipal de São Vicente adquire um aparelho de rádio - Phillips - com três alto-falantes, que segundo a notícia já se encontra instalado na Praça Serpa Pinto, "para a população ouvir música variada, nacional e estrangeira". Vai ser preciso esperar cerca de seis anos para que surja a primeira emissora cabo-verdiana. Informalmente chamada Rádio Praia, é criada oficialmente em 1945 com a designação Rádio Clube de Cabo Verde. Para além dos estúdios, onde começou a cantar Fernando Quejas e onde mais tarde Pipita Bettencourt e seus rapazes actuavam regularmente, era um clube social, onde se organizavam récitas e bailes. Permaneceu durante décadas, e mesmo depois de ter-se convertido na Rádio Nacional, após a independência, no local hoje ocupado pela sede do BCA, na Praça Alexandre Albuquerque, no Plateau. Em S. Vicente, por outro lado, a 21 de Junho de 1947, uma nota na primeira página do "Notícias" informa que o Rádio Clube do Mindelo inaugura as suas emissões: são às terças, quintas, sábados e domingos, das 18h às 19h30. E precisamente dois anos depois, também no mês de Junho, e também no Mindelo, o jornal noticia a inauguração da chamada "rádio Pedro Afonso" - mais precisamente, posto experimental CR4AC, com emissões das 20h às 22h, às terças, quintas e domingos. José Pedro Afonso, que como radiotelegrafista da armada portuguesa chegou a S. Vicente no início dos anos 40, acabou ficando. Trabalhou na Casa do Leão e foi proprietário de um bar. "Verdadeiro entusiasta por tudo quanto se referia à rádio, foi um dos pioneiros da rádiodifusão em Cabo Verde, tendo fundado a já extinta estação CR4AG, que foi muito popular na sua época", recorda-o o jornal "O Arquipélago" por ocasião do seu falecimento, em 1973, aos 63 anos. Antes ainda destas duas rádios pioneiras em S. Vicente, terá havido uma outra iniciativa. Segundo Malaquias Costa nos relatou numa entrevista em 1998, um outro português, chamado Cunha, radio-telegrafista nos Correios, foi o primeiro a ensaiar criar uma emissora. "Era em sua casa, e as emissões chegavam apenas às casas vizinhas", recorda o músico. Cunha deveria passar discos apenas, pois, segundo Malaquias, foi com Pedro Afonso que se começou a usar microfones, o que permitiu que os artistas actuassem em directo. Para além da sua contribuição para os media cabo-verdianos da altura - em 1951, o "Notícias de Cabo Verde" felicita-o por ter melhorado os serviços, "fazendo-se ouvir em quase todo o arquipélago" - Pedro Afonso deixou para a música cabo-verdiana um dos seus três filhos, o pianista José Afonso, residente em Lisboa. Voltaremos em breve a este tema, pois ainda há muito para saber ou recordar sobre as duas rádios mindelenses que fizeram história e sobre a RCCV, da Praia.
Por Glaúcia Nogueira

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