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domingo, maio 28, 2006

1975 – 2005 – 30 Anos de música de Cabo Verde




#1975 – 2005 – 30 Anos de música de Cabo Verde

Neste ano do XXX aniversário da Independência Nacional, as músicas de maior sucesso são da jovem cantora Lura, que interpreta muitas composições de um jovem infelizmente já falecido, mas que deixou marcas: Orlando Pantera. Como ela há muitos outros jovens talentos de vinte e tal anos que cresceram, se educaram e se formaram neste Cabo Verde Independente, todos têm em comum o gosto pela música de Cabo Verde, interpretam o Batuque, o Funaná, algumas vezes a Morna… São conhecidos como os jovens da geração “Pantera”. E desde o ano passado que o Batuque conhece um renascimento, tanto na sua forma tradicional, como na sua forma orquestral e isso se deve muito ao sucesso que alcançou esta forma musical quando interpretada por estes jovens cantores da geração Pantera: Tcheka, Vadú, Lura, Mayra Andrade e muitos outros. Aliás, desde há dois ou três anos que este renascimento do Batuque se traduz pela formação dezenas e dezenas de grupos de Batuque nos diversos bairros da capital! É que nesta época em que vivemos neste ano de 2005, o Batuque, o Funaná os ritmos de manifestações como o Kolá, a Bandeira e Tabanka, são concebidos como algo “normal”, são géneros musicais que integram o vasto panorama da música de Cabo Verde do qual fazem parte a Morna a Coladeira e toda a música que é produzida hoje pelos cabo-verdianos. Quem diria? Há pouco mais de 30 anos, ainda no tempo colonial, Mornas e Coladeiras eram géneros considerados “Folclore” ou “Música Típica”. Na rádio dizia-se com uma certa ousadia “Musica da nossa Terra”! Nessa época, o Batuque, Kolá ou Tabanka eram entendidas como “coisas do povo”, “música de África”, “música de preto”... nem classificação mereciam! Era proibida a subida da Tabanka ao platô da Praia!!! De Badjo Gaita, Ferrinho ou Funaná, nem se ouvia falar ou então era algo exótico.
Esta rápida introdução faz saltar à vista as transformações de vulto que ocorreram desde a Independência até hoje. E no momento em que a música de Cabo Verde já se projectou a nível internacional onde goza de respeito e prestígio, a pergunta que se impõe é: Qual o maior acontecimento registado na música de Cabo Verde nestes últimos 30 anos? Para responder a esta e outras questões ouvimos poetas, escritores, jornalistas, gente da cultura, de varias idades e percursos e como não podia deixar de ser, os músicos (destes, escolhemos até gente que participou ou teve um papel em certos acontecimentos).
Manuel Faustino (um dos compositores de proa no período de 1974/75 quando a música revolucionária era moda), ao responder à pergunta disse: “indiscutivelmente eu poderia falar da emergência do Funaná”. Silva (Silvestre Alfama), baixista do Conjunto Bulimundo, afirmou, “são os grupos que surgiram depois do 25 de Abril, porque houve uma certa explosão cultural e nesses grupos destacam-se o Bulimundo, os Tubarões e o Kolá.” Mário Bettencourt (Russo), baixista do conjunto Os Tubarões, diz “foi a revolução entre aspas efectuada a nível da sonoridade e dos géneros que terá começado com o GIA (Grupo de Intervenção Artística) em S. Vicente! (…) Mas para mim, a grande revolução, foi o aparecimento do Funaná como uma identidade inicialmente de Santiago e que a pouco e pouco foi-se tornando uma identidade nacional que é o que se regista agora.” Santos Nascimento, jornalista, corrobora a afirmação de Bettencourt quando afirma que o Funaná é “um marco importante (…) nestes 30 anos de Independência (…) embora seja da zona de Santiago, mas penso eu que é uma música genuinamente cabo-verdiana (…) produzida por quase todos de que ilha for. Veja que os sanvicentinos estão também a compor música com ritmos do Funaná e também essa plêiade de artistas aí fora (…) da comunidade cabo-verdiana.” A jovem jornalista Matilde Dias considera que a “revolução operada por Catchass é um movimento não só musical, mas cultural e até social.” Estas opiniões são convergentes e podemos desde já avançar que das 20 personalidades interrogadas encontramos unanimidade na resposta sobre esta e sobre muitas outras questões que iremos apresentar ao longo deste artigo. Posto isto propomos ao leitor um flash-back ao ano de 1974 para iniciarmos uma viagem ao longo de três décadas de Música de Cabo Verde. A nossa análise e descrições serão pontuadas pelas respostas das personalidades interrogadas no referido inquérito.
1974/75 - Música revolucionária, retorno às fontes e novas formas musicais
A grande aventura da música de Cabo Verde da segunda metade do século XX até hoje saiu da sombra no ano de 1974 (que precedeu a Independência). Nesse ano aconteceu a revolução dos cravos em Portugal, o processo de Independência das então colónias conheceu um desenvolvimento acelerado. Depois do 25 de Abril vive-se em Cabo Verde uma nova situação política e social, o meio cultural fervilha de ideias e acontecimentos. Emergem nessa época novas formas musicais e novos conceitos (principalmente a nível das letras) e ocorre um debate (polémica?) sobre uma questão que ficou conhecida como o “problema da autenticidade”. O aparecimento naquela época do disco “Protesto e Luta – Música Cabo-verdiana” editado pelo PAIGC, com temática crítica ao colonialismo na Morna e Coladeira, deu o rumo do que viria a ser a música cabo-verdiana nos três anos seguintes: é a chamada fase da música revolucionária ou panfletária. Na Morna e na Coladeira, é introduzida uma temática de crítica ao colonialismo e denúncia de situações de injustiça. Ao mesmo tempo e decorrente do processo de libertação, começa um movimento de revalorização das manifestações culturais que tinham sido desprezadas e reprimidas pelo regime colonial. Esta revalorização será levada às últimas consequências quando aparecem vozes a preconizar uma “recriação” dessas fontes tradicionais de músicas e ritmos com vista se obter novos géneros musicais. Este conceito será o motor que vai impulsionar o percurso da Música de Cabo Verde desde a Independência até hoje.
Mas, voltando aos anos de 74 e 75, uma referência incontornável é o Grupo de Intervenção Artística, GIA, do qual fizeram parte Manuel Faustino e Renato Cardoso entre outras personalidades. Manuel Faustino autor de peças como Serafim[1] afirma que “houve alguma tentativa de inovação que talvez o Renato (Cardoso) tenha levado mais longe do que qualquer das outras pessoas que tentou essa via.” Músicas como “Na Alto Cutelo” ou “Porton di Nos Ilhas” interpretadas pelo conjunto Os Tubarões, demonstram a qualidade e inovação desse compositor que foi Renato Cardoso e o surgimento de uma nova forma musical no contexto da música de Cabo Verde a que muitos chamam balada (forma musical antes inexistente). Renato Cardoso caracterizou este período e as mudanças operadas da seguinte forma: “A música desempenhou um papel muito importante naqueles primeiros tempos de mobilização. (...) durante muito tempo ela serviu como factor de facilitação de comícios com a população, como factor de mobilização no meio emigrante e como razão imediata de encontros entre estudantes. Nesses encontros, através de músicas muito politizadas, fazíamos o debate político em torno da luta para a independência.” [2] Dessa fase convém relembrar composições como “Cabral ca Móri”, Morna de Daniel Rendall um exemplo da nova temática que é utilizada pelos compositores da nova vaga na Morna ou então a Coladeira “Labanta Braço” de Alcides Spencer Brito uma espécie de hino ou saudação à Independência de Cabo Verde uma das obras-primas do período música revolucionária.
Entretanto, outros músicos e compositores “nova vaga”, lançam-se na busca de novas formas musicais a partir de géneros musicais e ritmos existentes. É o movimento de “retorno às fontes” onde se encontram jovens músicos dos quais podemos citar aqueles que criaram o conjunto Kolá em S. Vicente e os integrantes do conjunto Opus 7 na Praia. Este movimento propunha encontrar novas formas musicais a partir das formas tradicionais da nossa música. Experiência que quanto a nós foi iniciada mas não acabada pois, o Kolá acabou por enveredar por um outro caminho totalmente diferente do proposto inicialmente. Os jovens do Opus 7 fizeram um trabalho sobre a Tabanca e ficaram por aí. Muitos dos músicos deste grupo seriam mais tarde os integrantes do Bulimundo, que daria um outro rumo ao movimento de retorno às fontes vindo a protagonizar a partir de 1978 a revolução do Funaná. Há ainda a referir um outro movimento de retorno às fontes, de que o conjunto Nova Aurora, é um dos representantes. Deste grupo fazem parte entre outros Manuel de Novas, Luís Morais e Chico Serra. Trata-se de um movimento de reacção que considera a inovações propostas como contaminação e deturpação, portanto há que recuar no tempo para procurar as verdadeiras raízes. Ver Discografia Selectiva.[3]
A explosão e o início de uma nova caminhada
Entre 1975 e 1977, devido à eclosão dos vários movimentos referidos instala-se uma grande confusão seguida de uma grande explosão na música de Cabo Verde. Dizemos explosão no sentido de uma produção sem precedentes. A confusão instalou-se porque os grupos musicais seguidores, na maior parte das vezes fizeram uma interpretação errónea das ideias desenvolvidas pelos grupos ou movimentos como o G.I.A. ou Kolá. Principalmente em Lisboa, onde as possibilidades de gravação em disco se tornaram mais fáceis e onde há um mercado, assiste-se a uma verdadeira chuva de “gravações – imitações” do que se pode classificar (e ficou conhecido) como “música revolucionária”. Trata-se de um produto pobre a nível de letras e musicalmente medíocre, resultado do que podemos chamar padronização (a nível de composições). É que as ideias do Kolá, Nova Aurora e G.I.A, chegaram com um certo atraso a Lisboa ou Roterdão os centros de produção de discos dessa época, logo os temas produzidos por imitação nessa altura (1976/77 são extemporâneos, “o colonialismo” (tema preferido desses compositores) já tinha passado à história... estávamos já em plena Independência!
A partir de 1978 a fase de produção de música revolucionária entra em declínio e regista-se a entrada em cena de uma nova modalidade de Mornas e Coladeiras do compositor Manuel de Novas que vai fazer escola. Este compositor surpreendeu na época com uma Morna que continha uma temática sugestiva, crítica e de bastante actualidade: “Hoje tud Gote Pintode é um compositor”, uma crítica ácida e bastante oportuna ao panorama da música de Cabo Verde entre os anos de 1974 e 1977. No género Coladeira Manuel de Novas, deixa de utilizar a crítica directa à mulher que tinha feito escola até 1973, para se concentrar na pintura de quadros sociais: “Avenida Marginal”, “Saragaça” etc.
A produção de Manuel de Novas a partir desta altura até hoje, foi tão regular e com uma tal qualidade que ele se impôs como um marco na moderna música de Cabo Verde. Todos os nossos entrevistados apontaram Manuel de Novas como o mais importante nestes 30 anos de Independência. Santos Nascimento, afirma, “De imediato, o compositor que vem em primeiro lugar, penso eu e acho que é de justiça é o Manuel de Novas.” Tomé Varela, linguista e investigador exclama, “se não for maior pelo menos é um dos maiores compositores dos 30 anos da nossa Independência.” Brito Semedo, Presidente do IILP (Instituto de Língua Portuguesa) explica que “pela qualidade e a própria quantidade da produção (…) Manuel de Novas incarna os grandes compositores numa determinada época… No fim do século passado era Eugénio Tavares, depois é o B.Léza e depois é o Manuel de Novas além de outras estrelas à volta.” Daniel Spencer Brito, um jovem compositor que se destacou a partir dos anos 80 é peremptório: “Manuel de Novas… acho que foi o compositor com uma gama muito grande de músicas de boa qualidade”. Para Ismael Fernandes (Totó), guitarrista do Conjunto Os Tubarões, o destaque vai para “Manuel de Novas, dentro daqueles da velha guarda…” O jovem Adão, baixista do conjunto Ferro Gaita, afirma, “no ramo das Mornas e Coladeiras, não há dúvida que é o Manuel de Novas e há o surgimento de novos autores e compositores como o Pantera e o Eduíno do Ferro Gaita que deram uma grande contribuição para a música de Cabo Verde.” Ver Discografia Selectiva.[4]
Os Tubarões, o Bulimundo e a revolução do Funaná
Os Tubarões, é um conjunto que surge em 1969 no seguimento da influências e marcas deixadas pela vinda do conjunto Voz de Cabo Verde em 1968. Recorde-se este conjunto trouxe da Holanda a novidade dos instrumentos electrónicos. Nessa época surgiram diversos grupos neste estilo, mas Os Tubarões, é que vão ter um papel importante e um protagonismo a partir de 1974 que vai marcar a música de Cabo Verde até os anos 90. Este conjunto tem um grupo de músicos de alta qualidade de que se destacam, o cantor e guitarrista Ildo Lobo e o organista Zeca Couto. Recorde-se que entre 1974 e 1975, Ildo Lobo, também faz parte do GIA, onde pontificam, inovadores como Renato Cardoso, Manuel Faustino ou músicos de craveira como Humbertona e Djick Oliveira entre outros. Os Tubarões assumem-se como intérpretes de qualidade e não entram nas polémicas originadas pelos diferentes movimentos estéticos então emergentes. Fazem uma selecção do que há de melhor para o seu reportório e acabam por gravar em disco as melhores composições do Kolá, do movimento G.I.A. e dos compositores inovadores daquele período. Numa parceria de sucesso com Manuel de Novas, obtêm em primeira-mão as novidades deste compositor que são sucesso absoluto. Os Tubarões têm uma postura tal que granjeiam o respeito e sucesso junto do público, dois ingredientes indispensáveis para a consagração e até para a longevidade deste conjunto. Em 1978, Jaime do Rosário nos declarava numa entrevista “Para nós não interessa que fulano toque bem ou que sicrano componha... por sinal, como muita gente tem observado, o nosso conjunto não produz, mas esse facto tem a sua explicação: para nós… o essencial para um conjunto de amadores (como é o nosso caso), o que se pretende é a diversão, para nós e para quem nos escuta. Assim, procuramos executar a música de maneira que ela nos agrade e agrade a quem quer que seja.” [5]
Quase finais dos anos 70, surge o conjunto Bulimundo, sob a orientação de Carlos Alberto Martins (Catchass) que retoma o princípio do retorno às fontes. O seu trabalho incide, fundamentalmente sobre o Funaná e depois ao de leve sobre o Batuque, géneros da Ilha de Santiago com grandes potencialidades até então inexploradas. Carlos Alberto Martins declarou, a propósito “O género que o conjunto se propôs explorar não tinha nenhuma expressão, para além do meio em que era produzido.[6] O conjunto Bulimundo efectuou então um estudo dos ritmos e da estrutura melódica e de acordes do Funaná o que transportou para a execução com uma orquestra de instrumentos eléctricos. No início, transportaram-se simplesmente, as composições de músicos tradicionais, como Séma Lópi ou Kodé di Dona, mas depressa o novo género Funaná (com instrumentos electrónicos), passa a dispor de composições e compositores próprios, bem como de uma quantidade de variantes de ritmo e de orquestrações. Sobre este trabalho Carlos Alberto Martins afirmou, “o Bulimundo esforçou-se para lançar o funaná e desenvolve-lo até ele poder ombrear com os grandes conjuntos e géneros musicais que existem no mundo inteiro”.[7] Nesta mesma época, o músico e compositor Norberto Tavares, gravava em Lisboa, o seu disco que tem o sugestivo título “Volta pa Fonti”, de facto um regresso às fontes da música tradicional: o Batuque e o Funaná. Este trabalho, que teve um enorme sucesso em 1979 antecipa o Bulimundo na gravação desta nova forma do Funaná (electrónico). Os Tubarões nesse meio tempo gravam o Lp “Djonsinho Cabral” que é um Funaná em ritmo de coladeira, e que teve grande sucesso na mesma época.
Controversa no seu início, esta “Nova Musica” só consegue impor-se depois de uma grande luta com os “tradicionalistas” que diziam, estar-se perante a deturpação de um género folclórico, que devia ser conservado e interpretado tal qual. Numa referência à polémica que surgiu quando o Bulimundo lançou na Praia o Funaná, Carlos Alberto Martins disse “Nós fizemos a guerrilha cultural indispensável ao lançamento do Funaná. Um cronista português utilizava esta frase bastante significativa... «pecado de trazer (em 1980?) aos salões da capital o ritmo popular do interior da ilha».” [8] O “Novo-Funaná” (chamemos assim para o diferenciar do Funaná Tradicional) foi sem dúvida, a maior conquista da música cabo-verdiana, no seu processo de evolução e a maior conquista nestes anos da Independência como já escrevi em vários artigos. Por um lado, enriqueceu o panorama musical nacional e por outro levou a uma revalorização da chamada música tradicional (que até então se circunscrevia a realidades regionais ou mesmo locais) e que só viria a ter uma maior expansão nos anos 90.Ver Discografia. [9]
Anos 80 – O começo de uma nova era na música de Cabo Verde
Anos 80 foram a fase da difusão e consolidação das conquistas anteriores e a fase da procura da qualidade. Surgem novos valores e regista-se o regresso das vozes femininas: Titina, Celina, Cesária, que protagonizaram na década de 60 mas também surgem outros valores. Elas, que estiveram ausentes da discografia na fase anterior vão agora fazer sucesso. Aliás, o músico e compositor Norberto Tavares, refere que “O acontecimento mais importante nestes 30 anos é o surgimento de algumas vozes femininas que revelaram muitas potencialidades.”
A procura da qualidade e novos horizontes leva a uma segunda revolução do Funaná, em termos de forma, arranjos e temática, por um grupo de dissidentes do Bulimundo. Zézé (compositor e cantor), com o irmão Zéca (uma bela voz), anunciam no seu primeiro disco a solo (em 1985) os novos caminhos do Funaná. Contam, com a contribuição de dois músicos importantes: Paulino Vieira (na orquestração e arranjos) e Tey G. Santos (no ritmo). O Conjunto Finaçon seria criado logo depois e esta experiência seria continuada com a pesquisa de uma nova temática em versos (que agora abordam essencialmente questões urbanas) e a introdução de novos arranjos e sonoridades. No Conjunto Finaçon, vamos encontrar uma nova técnica de expressão e uma melhor adaptação, dos instrumentos electrónicos ao Funaná. Devido a este estilo mais sofisticado de interpretação, este grupo seria a ponta de lança da internacionalização da música de Cabo Verde nos finais dos anos 80.
Entretanto, em França, grupos como Cabo Verde Show primeiro e depois Mendes e Mendes estão desde 1980 na linha da frente da batalha da divulgação da música das Ilhas na Europa. Devido à moda e necessidades do mercado europeu, estes músicos optam, pela utilização dos temperos da Salsa ou do Samba, que tem muitos pontos de contacto com a Coladeira ou o Funaná, o que deu uma cor muito especial à música por eles produzida.
Nessa mesma época em Lisboa, devemos assinalar Dany Silva, um cantor e baixista, que sempre esteve mais envolvido com o rock e o “rithm and blues” e produz uma música em que se notam essas influências. Dany Silva e Paulino Vieira, para além de músicos foram também os produtores que promoveram muitos artistas. Em particular Paulino, foi um músico que pelos seus arranjos e domínio de vários instrumentos, não só ganha a confiança dos cantores que querem gravar, como passa a ser um nome que dá prestígio a um disco. Na sua carreira a solo, Paulino Vieira, que antes de mais é um teclista, assume-se como guitarrista e cantor. Ele é também um compositor, que procurou sempre uma síntese do que há de bom nos vários quadrantes musicais, mas sem perder de vista as verdadeiras raízes da Morna, da Coladeira ou do Funaná. Nos Estados Unidos, Ramiro Mendes (guitarrista e arranjador), é outra figura de destaque que assume protagonismo nos finais dos anos 80. Como Paulino e Dany, Ramiro tem o mérito de fazer as orquestrações de vários outros cantores e músicos e desempenha um papel preponderante como produtor de vários discos.
No país, ganham fama e notoriedade, muitos novos compositores de talento. De salientar Kaká Barbosa, que explora novas possibilidades do Funaná, ou Nhelas Spencer que procura novos caminhos na Coladeira, Betú e Antero Simas que exploram novas temáticas na Morna. Estes compositores da nova vaga são nomeados logo em segundo lugar depois de Manuel de Novas pela maioria das personalidades entrevistadas no âmbito deste trabalho. Manuel Faustino declara: “Depois do Manuel, há vários bons compositores… nós temos um Antero Simas, nós temos um Renato Cardoso, nós temos um Betú, nós temos o Nhelas Spencer… enfim, nós temos uma plêiade de bons compositores.” Para José Augusto Timas, baterista dos conjuntos Bulimundo e Finaçon, “inevitavelmente o Manuel de Novas, o Betú, Teófilo Chantre…” Ismael Fernandes (Totó) afirma, “Quanto à música em si destaco as músicas do Betú, pela sua profundidade, pela harmonia entre a letra e a música…” Mário Bettencourt diz: “podia também dizer o Daniel Spencer…” Norberto Tavares: “eu não quero nomear nenhum… Antero Simas é um deles…” Daniel Spencer: “mas não deixo de reconhecer que há um jovem… um compositor do calibre de Manuel de Novas que é o Betú… considero o Betú um grande compositor…” Brito Semedo, refere os “compositores na diáspora gente nova que vem na sequência dos da Voz de Cabo Verde como o Paulino Vieira, mais recentemente o Tito Paris. Internamente, na sequência do que foi apresentado nos concursos Todo o Mundo Canta, o Simas. (Antero Simas) (…) Não posso deixar de falar do Betú que está muito mais próximo e continua em termos de produção extremamente activo.” A jovem jornalista Matilde Dias diz: “eu nomearia o Betú… Outro… é claro, eu destacaria o Pantera (…) eu destacaria também o Catchass”. Quando perguntado para outros destaques nestes 30 anos de Independência, Tomé Varela, responde: “eu estou a me lembrar do Betú… estou a lembrar do Nhelas Spencer… mas não posso deixar de lado um Norberto Tavares”. O jovem Hélder que foi o baterista do conjunto Abel Djassi, afirma, “eu considero muito o Betú. Há outro, o Renato Cardoso. Eu tenho particular admiração para estes dois compositores!”
Em finais dos anos 80, a revolução do Funaná ocorrida em Cabo Verde e os frutos dos movimentos do retorno às fontes dão origem na Europa a partir da Holanda a um novo movimento ou estilo. O Funaná em orquestra é nessa época fonte de inspiração e recriação, mas num estilo diferente daquele que se pratica no arquipélago. É que os jovens aí nascidos e criados, sentem-se cabo-verdianos, pois é a cultura dos pais que domina a sua personalidade… Mas, atenção! O meio cultural, europeu em que vivem, vai ter uma influência no produto final. Assim, esses jovens cabo-verdianos de Roterdão ou Paris vão juntar à Coladeira e Funaná toda uma nova instrumentação e tecnologia, obtendo deste modo uma nova sonoridade. É o mundo da electro-acústica aplicado à música de Cabo Verde, que implica longos trabalhos de estúdio, um luxo que os músicos das ilhas não podem oferecer. Com esta nova geração a Morna vai sofrer influências do Rithm & Blues e metamorfosear-se em balada.
Artífices desta nova revolução, nos finais dos anos 80 são os conjuntos, “Livity” com Jorge Neto e “Rabelados” com Beto Dias, primeiro, depois “Gil and The Perfects” e um pouco mais tarde, os “Splash” com Dina Medina e outros. Estes músicos e cantores alcançam grande sucesso e fazem trabalhos de qualidade… mas, a fórmula encontrada depressa é retomada por outros músicos e desemboca nos anos 90 numa produção comercial e cópia pura e simples de ritmos do Zouck das Antilhas. A produção é tão grande e o descambar noutros ritmos com letras em crioulo é tão descarado que há de novo um alarme quanto ao desvio e contaminação da música de Cabo Verde. O sucesso da Cesária e a persistência de um certo grupo de músicos tradicionalistas, são o antídoto e a esperança que impedem os ânimos de se exaltarem.
E aqui surge uma questão (ou alarme?), que tem sido muito referida nos últimos dez anos: a contaminação da nossa música por ritmos estrangeiros, neste caso e concretamente o Zouck das Antilhas. Refira-se que esta questão nos vem perseguindo desde há muito! Nos inícios dos anos 70 foram as Cumbias, nas décadas anteriores foram outros ritmos… Lembro-me agora que o Maestro José Alves dos Reis, no seu Ensaio “Subsídios para o Estudo da Morna” escreveu, “ (...) no século passado (século XIX), com a invasão das polcas, mazurcas, galopes, contradanças, lanceiros, danças de roda, viras, etc. ela (a Morna) não se deixou influenciar”. [10]
Esta questão das influências foi abordada sob diversas formas pelas personalidades entrevistadas no âmbito deste trabalho na resposta à pergunta, “Que transformações ocorreram na nossa música nos últimos 30 anos?” José Augusto Timas refere, “pondo de lado a Morna que vem conhecendo alguma evolução, e pela positiva… houve alguma decadência, os outros ritmos nomeadamente o Funaná, o Batuco, Tabanka, tiveram uma decadência… e a coladeira tende a desaparecer, sufocada pelo Zouck, mas a música de Cabo Verde tende a sobreviver porque há sempre aqueles que tem mão em executá-la de uma maneira mais original… Penso que a música de Cabo Verde vai sobreviver a este movimento zouck.” Tomé Varela, diz que “há quem se manifeste quase que um horror àquilo que se vem fazendo ultimamente em termos de música cabo-verdiana, como zoucks e outras coisas…”. Silva do Bulimundo aponta que “nos últimos tempos há menos ousadia! Isso não quer dizer que não se está fazer nada, mas, há menos ousadia… acho que o comércio invadiu um bocado a área cultural.” Adão, baixista do Ferro Gaita, também aponta “aquelas misturas que foram feitas entre Coladeira e Zouck, (…) não sou contra e não sou a favor… mas eu não faço aquele tipo de trabalho”. Mas há quem veja esta questão pela positiva e com efeitos benéficos na nossa música. Ismael Fernandes (Totó) explica que uma “abertura ao mundo a outros géneros tem feito com que a música tradicional esteja a ganhar uma roupagem mais moderna sem perder as suas características.” Manuel Faustino considera que “A música de Cabo Verde de um modo geral tem sabido conviver com várias influências… há uma tensão que considero extremamente boa entre uma ortodoxia tradicional, excessivamente fechada e um liberalismo extremamente aberto… eu acho que essa tensão é boa e o resultado está aí, quer dizer a liberdade dos compositores, dos executantes…” Ver Discografia Selectiva. [11]
Anos 90: a internacionalização, Cesária e o século XXI
Os anos 90, encontraram o universo musical de Cabo Verde, recheado de inúmeras estrelas e com uma música autêntica e forte, que soube sempre resistir aos embates das modas e estilos musicais, que em cada década têm dominado o mundo. Uma música de Cabo Verde que ao longo dos decénios anteriores soube obter benefícios, das técnicas e inovações chegadas às ilhas, dos mais diversos quadrantes: do swing dos anos 30, ficou o nome tradicional de “Jazz” para a bateria, um instrumento que fez a sua entrada primeiro na formação tradicional a que se chamou “orquestra” e depois ganhou lugar nos conjuntos; do samba e outras formas da música brasileira em moda nos anos 40 ficou o famoso meio-tom; das rumbas e do cha-cha-cha dos anos 50, ficou a percussão (tumbas maracas etc.); do rock dos anos 60, ficaram os instrumentos electrónicos; do disco ou funky dos anos 70, ficaram os sintetizadores, uma abertura de horizontes e uma técnica elaborada que os músicos das fases anteriores não tinham. Afinal, não é Cabo Verde a grande caldeira, em que ferve uma grande sopa de Cultura?
Se a década de 80 se anunciou com o Funaná e a procura da qualidade, os anos 90 anunciam-se como uma preparação, para conquistar o mundo. Com o Bana até certo ponto retirado da cena após uma carreira de mais de 30 anos, surgiu a Cesária Évora, que gravou os seus primeiros discos nos longínquos anos 60 e teve um percurso seguro de quase, trinta anos na pura tradição da morna. Mas por ironia do destino, ela não teve, durante todos esses anos uma projecção digna do seu talento. Tempo longo é certo, mas que permitiu à Cesária Évora, uma maturação, temperada na dura luta pela defesa da autenticidade e das raízes da Morna e Coladeira. Recorde-se, que só depois de obtido o consenso, sobre o lugar de cada género musical, se instala da partir de 1985, um novo panorama musical. Isso vai permitir a emergência da música tradicional, com todas as suas potencialidades. A Morna e a Coladeira, encontram então no talento e na voz de Cesária Évora, o veículo ideal para se revelarem ao mundo, que por coincidência, assiste nesta altura, a um movimento que se dá pelo nome de “World Music”. Os anos 90 pertencem pois com justiça à Cesária... uma vingança do destino e uma vitória da música de Cabo Verde.
As personalidades entrevistadas no âmbito deste trabalho indicaram quase todas, o sucesso da Cesária Évora e a internacionalização da música de Cabo Verde como um dos acontecimentos mais marcantes destes 30 anos de Independência. Ismael Fernandes (Totó) diz que é de realçar, “o grande sucesso da Cesária Évora lá fora, porque, quer a gente queira ou não, isso tem servido de locomotiva para, não só uma verdadeira projecção da música cabo-verdiana lá fora como serviu para abrir as portas para os outros artistas cabo-verdianos, mas também tem sido um factor de projecção e conhecimento do próprio país.” Manuel Faustino, refere “O fenómeno Cesária, que não seria tanta novidade em Cabo Verde, mas particularmente o seu reconhecimento a nível internacional…” Daniel Spencer, afirma com convicção: “foi a consagração da Cesária como artista de renome internacional, acho que não se pode fugir a esse facto não é?” Carvalho Santos diz que a projecção internacional da Cesária Évora “contribuiu para que Cabo Verde fosse mais conhecido no mundo e criou novas oportunidades para os músicos cabo-verdianos”. Brito Semedo destaca “O grande «boom» da divulgação da nossa música deixando de ser apenas uma música do espaço de Cabo Verde nas Ilhas e nas comunidades cabo-verdianas, para sair para o exterior e conquistar as grandes sociedades com outro tipo de música, como uma música étnica com características muito próprias que tem sido muito apreciada.” O pintor Tchalé Figueira aponta, que o maior acontecimento destes 30 anos “é Cabo Verde ter sido reconhecido através da Cesária Évora” e acrescenta que “foi isso que fez com que Cabo Verde fosse reconhecido como um país musical.”
E ao mesmo tempo que se regista a projecção internacional da Cize, em Cabo Verde vive-se nos anos 90 um “revival” do Funaná. O novo género “Funaná em orquestra” que tinha dominado aos anos 80 cede agora o lugar ao Funaná tradicional no qual teve origem. Numa nova fórmula orquestral, gaita e ferrinho, a que se juntam um baixo e bateria acontece a segunda explosão do Funaná. O conjunto Ferro Gaita é o protagonista deste renascer e desta forma musical, que encontrou nos anos 90 uma nova conjuntura cultural. O conjunto Ferro Gaita, alcança rapidamente enorme sucesso e lança-se nos circuitos internacionais, onde a música de Cabo Verde ganha cada vez mais prestígio. De referir ainda que nos finais do passado século XX a música tradicional de Cabo Verde regista trabalhos e pesquisas noutros géneros, como por exemplo os trabalhos nos ritmos e manifestações da Ilha do Fogo. São disso, exemplo as ousadias de Ramiro Mendes e dos Mendes Brothers, que alargaram os horizontes do movimento do retorno às fontes, com pesquisas nos ritmos e tradições da Bandeira, Talaia Baxu etc. Recorde-se, fruto do trabalho e pesquisas das décadas anteriores múltiplos caminhos foram abertos, entre os anos 80 e 90. Mas, nem todas as fontes da música tradicional foram exploradas. E mesmo naquelas em que se bebeu, ainda existe muita água.
Esta questão é também apontada pelos nossos entrevistados. Manuel Faustino refere que nestes últimos anos se registaram “pesquisas interessantes, tentativas interessantes nomeadamente na linha do Orlando Pantera…”. José Augusto Timas diz que “o país evoluiu e tudo tende a evoluir, têm aparecido jovens músicos de muito boa qualidade…” Matilde Dias refere que “começa a haver mais experimentação a partir dos anos 90”. Assim, nos 90, a nova geração enveredou-se sem complexos por novos caminhos e levou até às últimas consequências, as pesquisas inacabadas dos músicos das décadas anteriores. Um dos nomes desta nova geração é Orlando Pantera, que explorou a via do Batuque e Finaçon. Esta uma via com potencialidades inesgotáveis que foi pouco explorada nos anos anteriores. José Maria Barreto, refere que “nesse momento há também o domínio do Batuque (…) há compositores tipo Tcheka que estão a estilizar o Batuque que a meu ver é extremamente bom.” Tomé Varela afirma que “do ponto de vista popular o Funaná tornou-se o género maior da música cabo-verdiana. Mas eu também não devo pôr de lado o Batuque e a extensão que vem tendo, também está contagiando… e não devo esquecer que foi o Catchass quem deu o ponta pé de saída à volta do Batuque…mas infelizmente não teve tanta força tanta garra como o Funaná, mas hoje em dia é notória a ascensão e a dinâmica que o Batuque vem tendo cá dentro do país e não só.”
E no princípio do milénio na esteira do trabalho de Orlando Pantera, o Batuque e Finaçon vão alcançar sucesso internacional com as cantoras Mayra Andrade e Lura. Em 2004 por exemplo, assiste-se a um movimento nunca visto de criação de grupos tradicionais de Batuque nos vários bairros da Cidade da Praia. A chamada geração “Pantera” produz uma música de “fusão” em que se destacam artistas como Isa Pereira e seu grupo, Vadú ou Tcheka… e muitos outros. A geração “Pantera” procura novos horizontes através da exploração dos ritmos do Batuque, Kolá e Funaná, bem como do casamento da instrumentação electrónica com outros géneros musicais. Igualmente destaque neste período é o Conjunto Simentera que explora uma nova sonoridade com base no conjunto tradicional (violões cavaquinho e algumas percussão) a que junta uma concepção de voz como instrumento. Os arranjos são sofisticados, os efeitos são surpreendentes, exóticos até. A jornalista Matilde Dias, afirma, “eu não posso deixar de destacar os Simentera, que muita gente fala de uma revolução no acústico, eu não sei se concordo ou se discordo, eu não tenho uma opinião formada sobre isso, mas fazem um trabalho muito importante no domínio do tradicional… até na internacionalização da nossa música.” O pintor Tchalé Figueira refere o Simentera “como uma proposta polifónica”. Através deste grupo a música de Cabo Verde com uma nova roupagem vai conhecer um grande sucesso na Europa. Figura de proa deste conjunto é o músico e compositor Mário Lúcio Sousa, a que se juntam as vozes de Tété Alhinho, Lena França, Arlinda Santos…
Marginalmente há o surgimento de grupos de rap e hip-hop, que compõem e cantam com letras em crioulo. Não se trata aqui de inovação mas de uma cópia pura e simples do que fazem os jovens negro-americanos e outros. Não entraremos em pormenores sobre esta questão, diremos apenas que, um fenómeno específico de uma sociedade (como é o caso do rap na sociedade norte-americana) terá sempre o gosto de importado numa sociedade com fortes tradições musicais como é a sociedade cabo-verdiana.
No início do século XXI e neste ano do XXX aniversário da Independência de Cabo Verde, os jovens que se lançam na música têm uma melhor preparação técnica, estão melhor apetrechados em termos de abertura de horizontes, cultura e técnica musical. Eles sabem o que querem e sobretudo são cabo-verdianos que amam a sua cultura e a querem desenvolver. Ao lado da produção meramente popular e comercial de sucesso efémero vamos encontrar produções mais sérias trabalhos mais elaborados. Há uma democratização ainda maior da música e surge um conceito de mercado, com produtos para diversos segmentos. É assim que na música de dança para a juventude persiste o casamento da Coladeira com o Zouk, um casamento assumido que recebe nomes como Cola-Dance, Cola-Zouk ou Zouk Love. Neste segmento do mercado o máximo de sofisticação é alcançado pela diva Suzana Lubrano que consegue um sucesso internacional sobretudo a nível do mercado africano. Ver Discografia Selectiva. [12]

Em jeito de conclusão, problemas e destaques
Nestes 30 anos de Independência a música de Cabo Verde, conheceu transformações profundas. A novidade dos finais dos anos 70 foi o Funaná, que depressa conquistou o arquipélago. Os anos 80 constituem o início de uma projecção internacional da Música de Cabo Verde e os anos 90 podem ser os da consolidação das conquistas, com a emergência e afirmação de jovens e novos artistas. A tudo isso se junta uma procura sempre crescente da qualidade na interpretação. A ideia que os nossos entrevistados têm é que houve uma evolução positiva, com cada vez mais qualidade. O músico Silva do Bulimundo afirma que “houve mais abertura da música de Cabo Verde, introduziram-se novos elementos em termos de orquestração,” Ismael Fernandes (Totó) diz que “retomamos de certa forma os instrumentos tradicionais, mas com uma abordagem moderna (…). Isso se deve ao facto dos nossos músicos se terem aprimorado muito a sua forma de interpretar.” Daniel Spencer afirma que “houve mais oportunidade dos músicos tradicionais aparecerem na comunicação social… Houve algum desenvolvimento… mas acho que as coisas pararam um bocadinho é preciso investir mais na música tradicional!” Moacyr Rodrigues acha que em termos de transformações “a música continua a ser a tradicional, com ligeiras alterações. Mas lá fora é que as pessoas muitas vezes motivadas por outros sons, distanciadas do contexto cultural nacional, eles produzem outras músicas. Mas dentro de Cabo Verde… há um empobrecimento apenas – do meu ponto de vista – dos versos do poema… Claro que aparecem novos elementos… novos instrumentos que vão até certo ponto trazer uma nova abordagem da música…” Norberto Tavares um músico a viver na diáspora há 30 anos tem uma outra visão quando diz, “A música tradicional não sofreu muitas transformações, mas na minha opinião acho que houve inovações… Na minha opinião acho que a música tradicional nunca poderia estar a sofrer constantes transformações… Há certas raízes da tradição, que onde quer que estejamos temos que conservar.”
A par dessa evolução e desenvolvimento há problemas que surgiram e há problemas que persistem na música de Cabo Verde. Silva do Bulimundo refere que o “mundo comercial está a tomar conta dos músicos (…) não é que não deve haver comércio, porque não se pode viver sem dinheiro, mas, entretanto, às vezes e nestes últimos anos, acho que se dá menos valor ao aspecto cultural, ou seja, as pessoas querem mais dinheiro do que a cultura, embora às vezes se possa fazer as duas coisas, fazer cultura e ganhar dinheiro, por que todo o trabalho deve ser pago”. Carvalho Santos aponta que “um dos grandes pontos fracos é a tal falta de unidade. (…) Eu acho que a música de Cabo Verde – sobretudo para defender os seus interesses – teria muito mais força, muito mais posição, se houvesse digamos um espírito mínimo de colaboração entre os músicos para levarem tarefas comuns à frente, porque trabalhando assim individualmente pouca coisa podem fazer, salvo o caso da Cesária que todos sabemos qual é o tipo de organização em que ela está.” A jornalista Matilde Dias acha que a promoção de Cabo Verde através da sua música “é um filão que não tem sido explorado convenientemente” porque “não temos uma política cultural” e “os agentes não estão organizados”. Manuel Faustino diz que “um problema extremamente importante é que, até agora nós termos vivido essencialmente da inspiração, da improvisação e da criatividade das pessoas. Precisamos investir seriamente na parte técnica, quer dizer no estudo e na aprendizagem”. O jovem cantor Vadú refere que “há muitos jovens a tocar e que têm boa vontade para a música de Cabo Verde, mas o problema é que só com boa vontade não é possível ir para a frente.” José Maria Barreto, afirma, “Nestes 30 anos acho o que ainda não fizemos é a criação de uma escola de arte, a meu ver uma escola de arte integrada com várias componentes artísticas, música artes plásticas… porque o grande problema de Cabo Verde é a ausência de escola artísticas.” Tchalé Figueira, é de opinião que “não seja sempre a Europa a nos produzir, nós é que devemos produzir a nossa própria cabeça porque temos potencial para isso.”
Um outro dado interessante é visão e interpretação dos nossos entrevistados conforme a faixa etária. Para as pessoas que viveram a Independência e as épocas que se lhe seguiram, há uma coincidência de visão dos acontecimentos destes 30 anos e sua interpretação. Para os jovens (a geração que nasceu aquando ou depois da Independência) como é óbvio o destaque vai para os acontecimentos dos últimos quinze anos. No entanto há ocorrências, personalidades e grupos que pela importância que tiveram deixaram marcas em todas as gerações. É o caso das melhores vozes e conjuntos. [13]
Cesária, Bana, Ildo Lobo e Zeca di Nha Reinalda, são os nomes mais referidos no domínio das vozes que marcaram estes 30 anos. Vale no entanto passar em revista algumas opiniões dos nossos entrevistados. Tomé Varela, depois de indicar a Cesária Évora, exclama: “como voz mesmo, dentro do mundo feminino dentro e fora do país eu destacaria outras vozes que não a da Cesária. Eu destacaria a Maria Alice. A Gardénia seria a segunda…” E quanto a vozes masculinas respondeu: “Bom, destaca-se o nome do Bana, (…) no mundo do Funaná creio que o rei é o Zeca”. Silva do Bulimundo destacou “o Zeca em termos de funaná. Na morna e coladeira, os mais antigos, caso do Bana e Cesária embora pertença a outra geração, mas a sua revelação foi no pós-independência, é sem dúvida a melhor voz de Cabo Verde.” Para Manuel Faustino, a Cesária Évora e o Bana, são as referencias mais sonantes, ainda “O Ildo Lobo!!! O incontornável Ildo Lobo… e a Titina.” José Augusto Timas refere para além da Cesária Évora e Ildo Lobo, as vozes de “Dudu Araújo, Teófilo Chantre, Lura mais recentemente, Maria Alice, Tito Paris… Mirri Lobo… Nesses 30 anos eu teria que falar do Zeca de Nha Reinalda…” Moacyr Rodrigues aponta que “o Zeca, o Bana, a Titina e a Cesária são as grandes vozes!” Ismael Fernandes (Totó) diz: “Vozes, temos: Cesária! Recentemente temos a Lura que tem uma voz extraordinária…Temos, o Ildo, o Ildo Lobo tem que ser destacado não é? Temos o Bana, que se manteve ao longo de todo este tempo, às vezes despedindo, mas regressando, temos que realçar o trabalho dele… Nancy Vieira, temos a Maria Alice… e algumas vozes novas que estão aparecendo como por exemplo a Mayra Andrade e que tem muita qualidade… acho que em termos de vozes estamos bem servidos.” Carvalho Santos afirma: “naturalmente para mim, a Cesária, o Ildo Lobo, há vozes interessantes como a Sãozinha Fonseca a Téte Alhinho enfim…”. Santos Nascimento exclama: “Vozes, inconfundivelmente a Cesária Évora por ela ter sido aquela que levou além fronteiras, todo este Cabo Verde Cultural… dar a César o que é César não é? Depois temos o Bana que foi um dos pioneiros a dar a conhecer a morna além fronteiras”. Matilde Dias, afirma que tem “uma particular paixão pelo Morgadinho” aprecia a Titina e gosta muito da Mayra Andrade e do Albertino. O Adão destaca o Ildo Lobo, a Cesária e o Albertino. O Hélder refere, “uma voz que admito muito é a Maria Alice… para além dela… Lura, Nancy Vieira… Ildo Lobo.”
Quanto aos conjuntos a resposta, de todos os entrevistados, também foi unânime: Tubarões, Bulimundo e Finaçon! Manuel Faustino, refere “Os Tubarões que marcaram uma época importante. Temos os Finaçon. Temos o Cabo Samba, ainda que tenha sido de efémera duração. Um outro grupo de inovou muito mas teve uma duração efémera, um grupo de S. Vicente, o Kolá. Há o Catcháss com o grupo dele…” Para Moacyr Rodrigues, “temos um Cabo Samba que teve momentos altos. E podemos falar dos Tubarões.” O jornalista Santos Nascimento aponta “o conjunto Voz de Cabo Verde… Voz de Cabo Verde da 2.ª geração do Paulino Vieira e outros. Temos também o Bulimundo… O Finançon terá também feito algum trabalho na sequência também do Bulimundo, porque nós temos aí presentes membros que pertenceram também ao anterior conjunto. Há também os Cabo Verde Show dentro da música cabo-verdiana por cabo-verdianos nossos que vivem no estrangeiro…” O jornalista Carvalho Santos diz: “naturalmente para mim Os Tubarões um conjunto que eu vi a nascer e a evoluir… O Bulimundo… O Finançon… isso a nível interno. A nível externo posso salientar os conjuntos da Holanda como o Livity, o que vem dos Estados Unidos, o Mendes Brothers.” O músico e compositor Norberto Tavares afirma: “Acho que o conjunto Finançon, Bulimundo, Tubarões, são os grupos que tiveram muita influência, cada um na sua época. Na diáspora devo salientar o conjunto do Manu Lima (Cabo Verde Show) que introduziu muitas transformações na música de Cabo Verde…” Tomé Varela diz, “dos mais antigos, eu destacaria o Bulimundo. Mais para cá eu não deixaria de lado Finaçon. E actualmente eu destaco o Ferro Gaita.” José Maria Barreto cita “Os Tubarões, o Bulimundo, o Finaçon… também houve o grupo Abel Djassi que foi um viveiro para a malta jovem… também o Voz de Cabo Verde, no seu tempo deu um certo contributo.” Brito Semedo afirma, “o que nos fica assim marcante… Bulimundo, Os Tubarões, antes disso o Voz de Cabo Verde… (…) Esqueci-me de referir à Sementeira. Bem este grupo tem o Mário Lúcio e a geração… diria a geração Pantera é a geração do Mário Lúcio.” Adão refere que “antes da morte do Catchass temos os Bulimundo, depois temos o Kings em S. Vicente… depois, temos o Abel Djassi e Finaçon e agora temos o Ferro Gaita.” O jovem Hélder exclama: “Sinceramente, Os Tubarões foi um marco muito importante neste processo… O Bulimundo, particularmente no Funaná, e recentemente aquilo a que chamam de nova vaga da música tradicional com o Orlando Pantera.”
E finalmente quanto a instrumentistas, que se destacaram nestes 30 anos de Independência, a pergunta surpreendeu julgamos nós porque a música instrumental conheceu um recuo sobretudo em termos de edição discográfica. As respostas são um pouco díspares, mas acabam por ter uma certa convergência. Brito Semedo explica: “Tem que se destacar em termos de pegar na geração da Voz de Cabo Verde, o Luís Morais, juntamente com ele em termos de trompete vem o Morgadinho, piano o Chico Serra… acaba por ser a mesma geração. Depois vem esta gente mais nova fazendo experiências em termos do Batuque e do Funaná”. Maria Barreto diz: “Temos o Baú, temos o Vasco Martins no piano… eu penso que há mais, mas neste momento... Mas quanto a mim o Bau e o Voginha.” Santos Nascimento: “Temos muitos… O Luís Morais! O Paulino Vieira é um instrumentista versátil! Temos um Vasco Martins, dentro do quadro da música de Cabo Verde porque ele também produz música cabo-verdiana é um teclista excepcional, guitarrista também… O Paulino digamos é um grande instrumentista a vários níveis… Temos o Ramiro Mendes dos Mendes Brothers e…” Carvalho Santos: “Como instrumentista, eu não sei se posso considerar como música de Cabo Verde, o Vasco Martins… há outros bons instrumentistas como o Tolase. Aqui na Praia temos um Kim Alves.”
Os músicos que tem uma visão mais apurada quanto a esta questão também convergem. Norberto Tavares respondeu assim: “Dos nomes que me ocorrem… destaco Paulino Vieira, Manu Lima, Kim Alves.” Mário Bettencourt (Russo) – “Temos alguns… Luís Morais, Totinho, Bau, são nomes que me vêm assim… O Quim Alves é um bom guitarrista.” Isamael Fernandes “destaco o Bau, o trabalho dele é extraordinário e temos que lhe dar o devido destaque, temos o Paulino Vieira, porque a gente tem que reconhecer… quer dizer, não só pela polivalência, mas pela qualidade do seu trabalho… também como técnico. Em termos de técnico nós também temos um Quim… O Quim Alves em termos de técnica é um grande instrumentista. Temos o Voginha em S. Vicente”. Silva do Bulimundo “Em termos de instrumentistas, acho que estão lá o Catchass, o Tolase… Para mim, acho que marcou muito esta geração do Kolá, portanto acho o Tolase, o Tey baterista… o Duka o Zéquinha, mas há mais ainda.” Mário Bettencourt (Russo) – “Temos alguns… Luís Morais, Totinho, Bau, são nomes que me vêm assim… O Quim Alves é um bom guitarrista. Daniel Spencer “… Temos um Humbertona! Nas gerações mais recentes não posso deixar de mencionar Voginha, um excelente guitarrista. O Bau! O Quim Alves, ele é um grande guitarrista…” Vadú destaca “o Hernâni de S. Vicente, ele é um grande instrumentista! Temos o Lela Violão, temos o Humbertona.” O Hélder exclama: “Bau, sinceramente não tem igual!”
Praia, 12 de Junho de 2005
Carlos Filipe Gonçalves [14]
Músico e Jornalista
XXX Anos de Música de Cabo Verde - Destaques
Com base na opinião de 20 Personalidades ligadas à Cultura

Compositores

Conj. Musicais
Vozes
Instrumentistas

#Este rico apontamento é da autoria do não menos nobre Jornalista Cultural, Carlos Gonçalves e vem publicado no livro "Cabon Verde, 30 Anos de Culotura".

Parabéns aos ideiais que norteam a belissima obra!

O Editor,

Elisângelo Lopes Ramos
















ulino Vieira
3 - Ensino Musical
4
Ano Novo
Antero Simas
Renato Cardoso
4
Voz de Cabo Verde
Zeca Nha Reinalda
Mayra Andrade
Lura
Vasco Martins
Voginha
4 - Comércio
5
Daniel Spencer
5
Ferro Gaita
Maria Alice
Hernâni
5 – Improviso
6
Catchass
Paulino Vieira
6
Kola
Titina
Humbertona
Acontec. + Import.
7
Alcides Brito,
Eduino Fer.Gaita
Ildo Lobo
7
Abel Djassi,
Mendes Brothers
The Kings
Nancy Vieira
Tcheka

Tolase
Catchass
1 – Projecção Intern.

Jotamont
Mário Lúcio
Norberto Tavar.
8
Cabo Samba
Cabo Verde Show
Simentera
Djosinha
Tito Paris
Albertino
Zeq.Magra
Lela Violão

2 – Qualidade

Teófilo Chantre
Tito Paris
Vasco Martins
Zé di Maio
9
Cordas de Sol,
Djingo, Livity
Mindel Band
Ver a)
Ver b)
3 – Revolu. Funaná

Zezé Nha Reinal




4 – Sucesso Cize

a) – Celina Pereira; Arlinda Santos; Lena França; Isa Pereira, Dudu Araújo; Teófilo Chantre; Mirri Lobo; Saozinha Fonseca; Tete Alhinho, Gardénia Benrós; Paulino Vieira; Princezito; Terezinha Araújo; Zequinha do Bulimundo; Mário Lúcio; Zé Pereira; Morgadinho; Maria de Barros.
b) – Tey Baterista; Duka; Totinho; Arnando Tito; Travadinha; Nho Kzik; Manu Lima; Ramiro Mendes; Norberto Tavares; Morgadinho; Chico Serra; Djick Oliveira; César Lee; Augusto Cego; Tó Tavares.
[1] Composição que foi de novo sucesso há cerca dois anos na voz do Ildo Lobo – CD Ildo Lobo – Intelectual – Ed. Lusafrica – Ref. LC 10412 – Faixa: Serafim.

[2] Entrevista à Televisão Nacional de Cabo Verde no final dos anos 80, transcrita na obra, A Morna Balada, de M. Brito Semedo, Ed. IPC.

[3] - Protesto e Luta – Música de Cabo Verde (Canta Nhô Balta) – Lp Ed. PAIGC – Ref. PAI 274. - Korda Scrabu – Kauguiamo – CD Ed. Manuel Socorro Silva – USA – Lp Ed. PAIGC – Ref. ST-33 PAIGC. - GIA – Grupo de Intervenção Artística – Cassete – Ed. Secretariado Informação e Propaganda do PAIGC (1976). - Nho Balta – No Ca podê comunica – Lp Ed. VCV – Ref. VCV 001-111 - Os Tubarões – Pepe Lopi – CD Ed. Sons d’Africa – Ref. C 121 – Faixas: Labanta Braço; Cabral Ca More; Estrela Negra.

[4] - Bana – Cidália – Lp Ed. Discos Monte Cara – Ref. DMC-111-111 - Os Tubarões – Pepe Lopi – CD Ed. Sons d’Àfrica – Ref. C 121 – Faixa 2 Vent Sueste; Faixa 8 Stranger e um ilusão; Faixa 9 Saragaça. - Os Tubarões – Tchon di Morgado – CD Ed. Sons d’Àfrica – Ref. C 119 – Faixa 2 Nhu; Faixa 4 Cinco di Julho; Faixa 9 Sombras di Distino - Bana – Contratempo – CD Ed. Sons d’Africa – Ref. C 168 – Faixa 1 Contratempo; Faixa 2 Mané Gaída; 6 Oitenta Melodioso.

[5] Entrevista à Televisão Nacional de Cabo Verde no final dos anos 80, transcrita na obra, A Morna Balada, de M. Brito Semedo, Ed. IPC.

[6] Entrevista ao jornal Voz di Povo 5 de Maio de 1984
[7] Artigo “Funaná a Maior Conquista” – publicado no Jornal Tribuna, Dezembro de 1986

[8] Artigo “Funaná a Maior Conquista” – publicado no Jornal Tribuna, Dezembro de 1986

[9] - Os Tubarões – Porton di Nôs Ilha – CD (1996) Ed. Melodie – Ref. 08678.2 (1994). - Os Tubarões Best of – CD - Ed. Sons d’Africa – Ref. 350002. - Bulimundo – CD Ed. Sons d’Af rica Ref. 5 6046 0041 10 - Bulimundo – Djam Brancu Dja – CD Ed. Sons d’Af rica Ref. 5 6044696 004 127.

[10] - Subsídios para o Estudo da Morna – Revista Raízes N.º 21, Junho de 1984

[11] - Cabral e Cabo Verde Show – Nova’s Allegria – CD Ed. Sons d’Africa – Ref. CD 0271.2. - Mendes e Mendes – Grit de Bo Fidje – CD Ed. Blue Move Records – Ref. 11502191 - Cabo Verde Show – Teteya – CD Ed. Sons d’Africa – Ref. CD 0270.2 - Paulino Vieira – M’Cria Ser Poeta – CD Ed. Sons d’Africa – Ref. C 112 - Livity – Harmonia – Lp Ed. Livity/M Da Silva – Ref. 08-030370-20 - Rabelados – Unidade e Amor – CD Ed. Sons d’Africa – Ref. C159 - Gil & Perfetc 2 – CD Ed. GIVA Productions – Ref. GIVA 9603 - Splash – Africana, The Best Of – CD ED. Islands Music Inc. – Ref. RB0299

[12] - Ferro Gaita – Rei di Funaná – CD Ed. Harmonia – Ref. 02305-2 - - Splash – Contradição – CD Ed. RB Records Inc. – Ref. RB0201 - Mendes Brothers – Torre di Control – CD Ed. MB Records – Ref. MB0013 - Cesária Évora – Miss Perfumado – CD Ed. Melodie – Ref. 79540-2. - Cesária Évora – Café Atlântico – CD Ed. Lusafrica – Ref. LC00316 - Cesária Évora – Best Of – CD Ed. Lusafrica – Ref. 262.80-2.

[13] - Ver Quadro: 30 Anos de Música de Cabo Verde – Destaques e Classificação.

[14] - Nota: Este artigo foi elaborado a partir dos textos do capítulo “A Nova Música” do livro “Kab Verd Band” a ser publicado brevemente. Este capítulo é pois sua vez uma ampliação do assunto tendo por base o texto publicado do CD Anthologie de la Music du Cap Verd, Praia, 6 de Junho de 1994.

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