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sábado, setembro 16, 2006

Música de Cabo Verde em Orlano Pantera

Orlando Pantera: Foi Um Cometa

Morreu aos 33 anos, mas em Cabo Verde já era um mito.
Há quem fale em Orlando Pantera como a maior descoberta musical da década.
Agora em Portugal registos precários das suas músicas passam de mão em mão por aqueles que se descobriram fãs.Há projectos de edições póstumas. Joana Gorjão Henriques.
Quando se fala com quem o conheceu várias ideias se repetem.
A de que nele as pulsações nasciam da música e batiam ao ritmo de uma criatividade generosa. A de que a naturalidade com que musicava a vida era uma dávida (talvez ele, católico, pensasse que de Deus) a partilhar com os outros.
Assim ficou espalhada a música de Orlando Pantera.
Não gravou nenhum álbum - morreu antes disso - e neste momento a única maneira de ouvir uma obra que todos dizem ser de grande qualidade é copiando-a a partir do material disperso que deixou.
Considerado percursor de um novo estilo na música cabo-verdiana, foi letrista (poeta, diriam alguns), compositor, multinstrumentista e só nos últimos anos de vida é que cantou em público. Musicava os homens e mulheres do campo, o amor e suas desilusões - "sou cabo-verdiano", lembrava. Desenterrou géneros tradicionais da ilha de Santiago esquecidos pelas gerações pós-independência e, sem os reproduzir mas respeitando-os, criou o seu estilo, admirado por consagrados e jovens.
Não gravou nenhum disco, mas o espanto multiplica-se: génio de sensibilidade extrema e força criativa intensa; inovador e autêntico; criador de um mundo poético belíssimo; excelente compositor de canções. Um artista que iria ser uma "revelação", impulsionador de uma música aberta a influências com potencialidades para correr o mundo.
Quando, há algumas semanas, foi exibido no B. Leza, em Lisboa, o documentário "Mais Alma", de Catarina Alves Costa - sobre a situação dos artistas cabo-verdianos, e onde Pantera tem forte presença ao longo de uma hora - o espaço estava a transbordar de gente. Foi exibido segunda vez e voltou a esgotar.
Claro que a euforia - a "mitificação"? - vem do f
løacto de Pantera ter morrido jovem, vítima de pancreatite aguda, a 1 de Março de 2001, no dia em que ia começar a gravar em França o primeiro álbum, "Lapidu na Bô"/ "Colado a Ti". O determinismo fatalista fez ainda notar: desapareceu com a idade de Cristo, 33 anos.
"Tenho a certeza que não vou ver mais nenhum génio como ele. Só há dois ou três num século. Foi um cometa: passou para dar luz. Comparo-o a Jim Morisson. Acho que vai inspirar muitos jovens. A sua maneira de ser, de estar, de viver, a sua gentileza... Era quase patético, o talento dele era tão imenso... Cabo Verde não vai ter um artista assim nos próximos 50 anos. Como Pelé, no futebol, ainda andámos à procura de um...", diz, emocionado, Elísio Lopes, da editora francesa Morabeza Records, onde Pantera iria gravar duas músicas de "Lapidu na Bô", o disco em que apresentaria ao mundo o projecto "Racodja"/ "Recolha", resultado de uma pesquisa dos géneros tradicionais desenvolvida ao longo de mais de 10 anos na ilha de Santiago.
Património. Não há disco, mas circulam registos vários pelos que, de repente, se tornaram fãs. Só que, em breve, Pantera poderá ser ouvido sem ser por portas travessas. A Morabeza Records vai editar um álbum póstumo - sem data marcada; quer fazê-lo "sem pressa, para produzir um disco de qualidade", tal como o tinha pensado o músico -, recolhendo as suas músicas, sobretudo aquelas em que Pantera era protagonista.
Clara Andermatt, com os co-produtores Teatro Nacional São João, Ministério da Cultura e Montepio Geral editará a banda sonora de "Dan Dau", espectáculo da coreógrafa com quem Pantera trabalhou de 1998 a 1999, altura em que viveu em Portugal. Será uma edição limitada de dois mil discos (o objectivo é acompanhar a digressão da coreografia em Setembro), susceptível de aumentar se o mercado o exigir. A coreógrafa dedica o CD à memória de Pantera, que participa em cinco das oito músicas. Entrará no circuito comercial em Novembro.
Mas onde é que está este património musical? Ao que tudo indica, a maioria do material gravado em estúdio está nas mãos do compositor João Lucas, um dos sócios do estúdio lisboeta Luminária, onde Pantera chegou a agendar, para Fevereiro, a gravação de algumas músicas do primeiro disco (nem a mulher de Pantera, Carla Garcia, nem Lucas sabem porque é que desistiu da ideia).
Foi no Luminária que, em 1998, Pantera fez experiências a pensar nesse disco que não finalizaria: cinco músicas a solo, entre as quais "Batuko", incluída no CD de "História da Dúvida" (outro espectáculo de Andermatt), para o qual compôs ainda, com João Lucas, "I am a professional", integrada também em "Dan Dau". Aí gravou ainda cinco músicas para "Pêtu", espectáculo do Raíz de Pólon (grupo ao qual esteve ligado desde 1997).
Existem também compilações com músicas de Pantera: "Verão 2000" e "Filhos do Funaná"; sete composições em discos de outros intérpretes, Mário Rui, Djudja, Grace Évora, Pentagono, Filipe e Tubarões.
Para além disso, Carla Garcia, com quem Pantera viveu durante oito anos e de quem teve uma filha (Darlene, com seis anos), já reuniu cerca de 34 temas dispersos de um artista "que dava as músicas a toda a gente". Garante: "há muitos mais". Por agora desconhece a qualidade do material que tem em mãos, e a sua extensão, até porque em Cabo Verde não existe uma instituição que proteja os direitos de autor - o músico registou as suas obras em França.
Juntamente com um advogado, Carla está a registar o património que Pantera deixou por registar: as músicas de que apenas existem as letras que Pantera ia anotando em papéis; as que se encontram nas mãos de músicos com quem gravou e tocou; as que gravou em ensaios e as que nunca foram escritas, porque ele e os outros as sabiam de cor; as músicas infantis que compôs com as crianças a quem ensinava música...
"Existe um aproveitamento da obra do Pantera porque ele confiava em toda a gente, era muito espontâneo, dizia às pessoas que podiam gravar as músicas dele e, que eu saiba, nem recebia contrapartidas financeiras. Nunca o ouvi falar em dinheiro", conta Raul Ribeiro, dos Arkorá, grupo com quem Pantera ia gravar em Portugal, no Praça das Flores, algumas músicas do seu disco.
"O disco iria criar um espaço próprio. Daqui a cinco anos teríamos os frutos disso", é a convicção de Ildo Lobo (ex-Tubarões). Também a cantora Celina Pereira, a residir em Portugal há 31 anos, vê em Pantera uma revelação. Que a morte está a transformar em mito. "Quando conheci Pantera tinha o violão nas mãos e dedilhou uma coisa que parecia o 'Summertime'. Comecei a cantar... Foi logo uma empatia que se criou ali...Ele tinha uma enorme preocupação com uma lacuna que existia, com a relação dos cabo-verdianos da diáspora com a música tradicional, de eles só ouvirem o zouk [género comercial, de dança]".
O que foi e o que poderia ter sido. Mesmo com o material disperso, mesmo que a fraca qualidade técnica justifique que se retire a sua voz de algumas gravações para a colocar por cima de temas recriados, há vontade de que a obra seja editada. A ideia, explica Carla, é editar o disco que Pantera tinha previsto e depois, se houver material suficiente, um outro. Elísio Lopes, da Morabeza Records, irá a Itália e virá a Portugal, talvez ainda a outros países por onde Pantera passou, reunir-se com aqueles que têm composições do músico.
Porquê tanto interesse em lançar um disco de alguém que nunca chegou a ter carreira internacional e que só pouco tempo antes de morrer começou a cantar em público, depois de Manu Preto, do Raíz de Pólon, ter insistido para que ele subisse ao palco e mostrar que, ao contrário do que dizia, sabia cantar?
João Lucas responde: "uma das coisas mais chocantes" para quem conheceu Pantera foi a sua morte ter acontecido "num momento em que ele iria ser uma revelação. É fácil imaginá-lo a disputar o mercado da 'world music'... A música, inspirada em folclore e nas tradições, tinha um grande trunfo: a vontade de encontrar uma originalidade sem prejuízo da autenticidade".
Quando tocava a solo - voz e guitarra - revelava "qualquer coisa de ancestral, e ao mesmo tempo um virtuosismo e uma grande autencidade", descreve Lucas. Quem conheceu Pantera, acrescenta ainda, "fala dele com o respeito por um artista cosmopolita", tão grande como os grandes - "como o senegalês Youssou N'Dour" - que têm discos no mercado.
Vladimir Monteiro, jornalista e autor do livro "La Musique de Cabo Verde" (editado em França pela Chandaigne), é inequívoco ao enquadrar Orlando Pantera no contexto cabo-verdiano: "Um dos melhores compositores e intérpretes da última década".
"Colocá-lo-ia na categoria dos novos estilos, ao lado de pessoas como Vasco Martins ou Mário Lúcio (dos Simenteira). Em termos de texto tinha tudo para vir a ser um novo Manuel d'Novas [músico intérprete de coladeras], porque são textos ricos, bem pensados onde há uma certa filosofia e preocupação em introduzir a palavra certa, no momento certo", define.
Teresa Cascudo, crítica de música clássica do PÚBLICO, ressalva a dificuldade em falar de alguém que nunca gravou um disco - "aí é que está o drama: o que ele foi e o que podia ter sido" - e de uma música que conheceu sobretudo "pelos olhos" de quem a faz. Mas, ainda assim, destaca um repertório que investe na identidade e segue uma via "que tem a ver com a atitude que existe na música erudita ou no jazz, onde há lugar para a pesquisa, e em que o objectivo é a fusão, aproveitando diversas tradições, incluindo a própria."
Pantera tinha "o sentido de dramaturgia, a capacidade de criar uma história do princípio ao fim e um mundo poético muito belo", qualidades que o tornariam "num maravilhoso criador de canções". Recorda a "vitalidade intensa e o optimismo militante" de alguém que "fazia música por uma questão de vida ou morte: como respirar".
Para Elísio Lopes, Pantera corresponde a uma evolução da música cabo-verdiana: "Tem uma abertura extraordinária ao mundo e ao mesmo tempo aproxima-se da raiz de Cabo Verde e do continente africano. A dor da realidade da vida, tão difícil para seres humanos sensíveis como ele, está presente na sua música e na sua interpretação."
Há ainda, para Clara Andermatt, uma componente cultural decisiva: a música de Pantera tem mais "alma cabo-verdiana" do que influências internacionais. "A musicalidade é a da alma dos cabo-verdianos: uma mistura de aceitação das condições em que vivem e uma paz nessa tristeza."
Cantava com o corpo todo. Quem viu Pantera em concertos descreve a metamorfose, nos palcos, de um homem tímido. Ninguém diria que desde miúdo ele pedia a outros para cantar as suas músicas, "porque de cada vez que cantava ficava rouco", achava que não tinha voz.
Segundo conta a mãe, tudo começou com Mário Rui, o amigo cantor, numa altura em que nem ela nem o pai tinham dado conta que o filho se tornaria músico - mas ele já rondava o avô materno para lhe ensinar a tocar gaita e acordeão, e contava à mãe que se deitava a pensar em músicas que ia escrever a meio da noite. Mário Rui tinha a viola em que Pantera tocou as primeiras notas e foi com ele que experimentou o cavaquinho, a flauta, depois de fazer música com as latas que punha entre as pernas, diz a mãe.
Na altura em que começou a cantar em público, a maioria dos espectadores talvez ainda não associasse o seu nome ao do compositor que havia criado uma canção para Grace Évora e três temas para o álbum dos Tubarões, "Porton di Nôs Ilha". Foi com estes que foi galardoado com o Prémio Compositor do Ano, em 1993, e foram essas músicas que o tornaram estrela, segundo Vladimir Monteiro. Apesar de ainda não terem "traços do que viria fazer" - dois funanás e uma coladera -, introduzem "uma lufada de ar fresco no disco dos Tuburões, dando mais ênfase ao trabalho" do grupo.
"Nasceu para o palco, para a música. Mas quando parava e tinha que falar ao público, voltava ser o homem tímido. Quando estava a tocar com outros não procurava colocar-se em evidência", descreve Vladimir Monteiro.
Talvez também por isso nem todos os que assistiram a "História da Dúvida", em 1998, no CCB, tenham reparado que entre os músicos no palco lá estava Pantera. Talvez isso explique ainda a sensação com que Andermatt ficou da sua presença: "uma cara muito aberta, que tinha a ver com a entrega às pessoas, à vida; um corpo fechado, com os ombros virados para dentro" pela "timidez latente" de alguém "extremamente inseguro, sem razão para o ser".
Quando Andermatt e João Lucas se encontraram com ele em 1998 - os dois viajaram até Cabo Verde para fazer audições para "História da Dúvida" - a coreógrafa já havia reparado na "luz e brilho" do músico que tocara no Trindade, em Lisboa, durante "Até ao Fim", coreografia que Manu Preto, director da Raíz de Pólon, trouxe a Portugal em 1997.
Nesse encontro, em que foram ouvidos 20 músicos, João Lucas lembra-se que Pantera tocou três minutos. "Havia algo que transcendia a performance, a relação dele com a música, a forma como o corpo vibrava, as expressões físicas de quem tem um grau de musicalidade elevado. Todo ele vibrava, não era capaz de cantar sem ser com o corpo todo".
Numa entrevista cedida ao Y por Catarina Alves Costa (material que não chegou a usar no seu documentário) Pantera descreve o seu trabalho com teatro e dança: "Não se reproduz só o que se ouve, mas também a pessoa, o homem ou a mulher do interior de Santiago; enquanto se toca tem que se olhar a sua boca, o seu cabelo, a sua raiva, se salta de alegria... Tem que se fazer igual, está-se a imitá-lo, reproduz-se o que se ouve, o que se olha, o que se sente."
E acrescentaria sobre a sua experiência de pesquisa na aldeia de Mato Sanches: "Fiquei muito surpreendido com o comportamento das pessoas, a maneira como vivem, como recebem, o modo que consideram a religião, a simplicidade. São pobres e miseráveis, mas alegres e sinceros. Isto são tudo coisas que aproveito no meu trabalho: esta sinceridade, esta alegria, esta tristeza, esta espontaneidade e força à volta de música."
"É preciso observar, viver e guardar na alma".
À maneira do homem do campo. Na altura em que começou a dar espectáculos, levava as camisas e calças à boca de sino "à maneira do homem do campo", pormenores que ia anotando nos seus papéis - muitos deles a mulher não consegue decifrar, daí que tenha o projecto de reunir tudo para alguém escrever um livro sobre o músico cujas expressões a cantar reproduziam "os homens e as mulheres cabo-verdianas do campo", como descreve Daniel Ribeiro (Nhelas), amigo de Pantera.
Eram estas expressões, o trabalho com o corpo e a recriação do ambiente onde nasceu e cresceu, que Pantera levava para o palco. "Tocava de forma moderna, batia nas cordas como os músicos de rock. Na sua técnica não havia nada de tradicional e era isso que fazia a diferença. Já a cantar, havia semelhança com as cantadeiras de finaçon, na forma como entoava uma frase, outras, como os rappers, ia non stop", define Vladimir Monteiro.
O que é que era inovador? "O facto de Pantera juntar as duas partes que compõem o batuque - o finaçon (textos) e a sambua (ritmo) - com o violão e a voz, fundindo ainda vários estilos (jazz, rock, pop, música africana, brasileira...)."
Raul conta que Pantera escrevia tudo o que pensava e anotava até "os passos que dava no palco". "Escrevia sobre os rituais de morte, a alimentação, a forma de vestir das mulheres e dos homens, o casamento, o nascimento, o baptismo...".
Segundo contou Pantera a Catarina Alves Costa: "Com oito anos já tinha uma certa apreciação da arte e música, influências de ter crescido em Angola e de ter ouvido géneros afro, ritmos que interiorizei. Com 15/16 anos comecei à procura do que é tradicional em Cabo Verde, a ter curiosidade em explorar os géneros que considero um pouco rudes em termos de trabalho técnico, que é muito bonito, mas que em termos melódicos é repetitivo e monótono. Por isso criei um novo rosto e um novo ambiente no batuque e na tabanca. Na tabanca utilizo búzios, que considero um instrumento sublime, utilizo tambores que acho que combinam muito bem com os búzios, e tento explorar ao máximo a voz e o feeling do músico".
Pantera "queria ideias mil", conta Raul Ribeiro. Ângelo, também dos Arkorá, recorda que com ele ouvia do jazz americano ao afro-cubano, da música clássica à coral, discos que trazia de cada sítio por onde viajava - Charlie Parker, Louis Armstrong, Pat Metheny, George Benson, Caeteno Veloso, Djavan, Gilberto Gil, Tom Jobim, Paco de Lucia... De Portugal levou Mário Laginha e Maria João, também Bernardo Sassetti e outros - Djudja, que chegou a partilhar casa com ele em Portugal, diz ainda que Pantera gostava do fado.
Nunca se vai saber como seria o primeiro disco de Pantera. Nem ele próprio o havia definido. "Eram várias as ideias que surgiam de dia para dia", diz Carla. João Lucas notou em Pantera, nos últimos meses de 2000, "ansiedade e ao mesmo tempo uma grande indefinição estética".
"Havia sinais de sucesso - foi convidado para o Festival da Baía das Gatas [homenageado no Festival da Gamboa], para compôr a música para o filme de Flora Gomes ['Nha Fala']...". Ficou com a sensação que Pantera "tinha consciência das suas capacidades, mas não era empreendedor".
Quando conversou com o produtor, Elísio Lopes, Pantera disse-lhe que não queria entrar no 'star system', que queria liberdade, "mais em termos artísticos do que financeiros".
"Não tínhamos fixado tempo, nem orçamento", conta. "Falei-lhe em gravar o disco sozinho - nem sabia que também ia gravar em Portugal e noutros sítios -, mas dei-lhe carta branca para o fazer como quisesse. Ninguém sabe como seria o disco".
No dia em que morreu, Orlando Pantera tinha o estúdio marcado com Elísio Lopes, em França. Seguiria depois para Portugal e daí para o Brasil e Holanda. O produtor cabo-verdiano radicado em França desde os 13 anos tinha-o ouvido pela primeira vez em Janeiro, em casa do músico Geraldo Mendes. Não teve dúvidas de que queria produzir o seu disco; não tem dúvidas de que ainda o quer fazer, a título póstumo. "Tive um choque artístico. A maneira dele tocar viola, de cantar e interpretar... Chorei quando o vi, cheguei a pedir desculpa de estar tão emocionado, de ter a honra de o ouvir. Pela primeira vez na minha vida escrevi uns versos. Eram sobre a luz."
Carla sempre gostou de uma música que várias vezes pedia ao companheiro para ouvir. Chamava-se "Dispidida".
"Agora vejo que teve algum sentido ele morrer. Nessa música ele fala da 'dor que passou e ele próprio procurou', de não ter feito nada do que queria, de não estar bem em lado nenhum - 'deitado não sabe o que fazer, de pé não sabe o que fazer'".

José Vicente Lopes
(in Expresso 17-8-2001)

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